Seleção Natural?

João e José eram amigos de infância. Nasceram na mesma época, em famílias vizinhas. Natural, portanto, que convivessem muito. Brincaram juntos quando crianças, estudaram na mesma escola, jogavam futebol no mesmo time... enfim! O acaso da vida os tornou grandes amigos.

Como a maioria das amizades assim, que começam na infância e continua na adolescência, a "separação" entre os dois aconteceu com o temido vestibular. Uma coisa os dois tinham em mente: se vamos fazer algo para o resto da vida, tem que ser algo que gostemos. Assim, os amigos partiram em busca de seus sonhos. Um, foi fazer Direito. O outro, administração.

Entraram na universidade e, apesar de não estudarem mais juntos, mantiveram sempre o contato. As farras da universidade não têm limitação de curso, eles diziam. Ao se formar, os dois resolveram prestar concurso para uma instituição pública. E, mais uma vez, os dois passaram.

Aí teve início a verdadeira diferenciação entre os dois. Dois jovens, formados em curso superior pela mesma universidade, fizeram concurso público para a mesma instituição, passaram e assumiram seus cargos. A primeira diferença é que João passou a receber, todo mês, oito vezes mais que José! Ao final de sua carreira, com todas as vantagens possíveis, José não chegaria à metade do salário inicial de João.

Mas a questão não era apenas financeira. A instituição colocava os dois amigos em uma posição incômoda para ambos: um deveria ser praticamente servo do outro. Dois meses de férias para um, um mês para o outro. Reajustes de salário anuais para um; "quando Deus quiser" para o outro; cinco dias de trabalho semanal para um, com cumprimento de horário; três dias para o outro, se ele quisesse...

O mais interessante é que essa instituição, onde os dois amigos sonharam em entrar, tinha uma função social muito bonita: promover a justiça!

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